Quem recebe o Bolsa Família em cada estado
Famílias e pessoas beneficiárias em abril de 2026, comparadas à população, à força de trabalho, ao desenvolvimento humano, à violência e ao viés político de cada estado. Os dados vêm do Ministério do Desenvolvimento Social, do IBGE, do PNUD, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do TSE.
Mapa por estado
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Viés político predominante dos governos estaduais
Quem cada estado elegeu para governar nos últimos 30 anos: os governadores eleitos de 1994 a 2022, oito mandatos que cobrem 1995 a 2026. Cada partido recebe a posição da escala ideológica de Bolognesi, Ribeiro e Codato (revista Dados, 2023), feita com cientistas políticos: 0 é extrema-esquerda e 10, extrema-direita. O viés predominante é o campo que governou o estado por mais anos.
Nenhum estado foi governado predominantemente pelo centro da escala (de 4,5 a 7,0), que reúne partidos como PPS, PV, PTB e Solidariedade. MDB, PSDB e PSD ficam logo acima de 7,0 e, por isso, na direita. Se esses três fossem contados como centro, 13 estados passariam a ser de centro; os testes abaixo usam a posição média na escala e não dependem dessa escolha. Os grupos somam os estados; o IDHM do grupo é a média ponderada pela população.
IDHM em 1991 × IDHM em 2024
Cor pelo viés dos governos estaduais de 1995 a 2026.
O governo explica a pobreza do estado?
- A ordem já existia antes. O ranking de IDHM de 2024 repete o de 1991, antes do primeiro desses mandatos (correlação de postos de 0,82). Maranhão, Piauí, Alagoas e Paraíba já estavam entre os últimos.
- Os mais pobres cresceram mais. Os estados de governos de esquerda partiram de IDHM 0,414 em 1991 e ganharam 0,355 até 2024; os de direita partiram de 0,521 e ganharam 0,296.
- Descontado o ponto de partida, o efeito é pequeno ou nulo. De 1991 a 2010, cada ponto mais à direita na escala se associou a 0,006 a mais de IDHM, cerca de 2% do ganho médio do período, no limite da significância estatística. De 2010 a 2024, não há efeito mensurável.
- A esquerda chegou depois da pobreza. Nos anos 1990, a maior parte dos estados mais pobres do Nordeste era governada por PFL, PMDB e PSDB. Os governos de esquerda começaram em 2003 no Piauí e em 2007 na Bahia, no Ceará e no Maranhão.
Teste: regressão do ganho de IDHM sobre o IDHM inicial e a posição média dos governos no período, com os 27 estados (1991–2010: coeficiente 0,0061, erro padrão 0,0029; 2010–2024: 0,0012, erro padrão 0,0012). Com 27 observações e muitos fatores fora do controle dos governadores, como transferências federais e preços de commodities, o resultado indica associação, não causa.
Alcance do programa, desenvolvimento, violência e voto
Cada ponto é um estado. Onde o Bolsa Família alcança parte maior da população, o IDHM é mais baixo, a taxa de mortes violentas tende a ser mais alta e o voto em Lula foi maior. A correlação descreve a coincidência entre os indicadores, não uma relação de causa: todos refletem a renda e a região de cada estado.
% da população × IDHM r = −0,91
% da população × mortes violentas r = 0,71
% da população × voto em Lula em 2026 r = 0,81
Como ler o voto por estado
- Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado em 14 estados e no DF; Lula (PT), em 12 estados, todos do Norte e do Nordeste. No Amapá a diferença foi de 0,04 ponto, um empate técnico.
- Onde o programa alcança mais gente, Lula teve mais votos (r = 0,81). A mesma relação aparece com renda e região: os estados do Nordeste concentram os dois fenômenos.
- O dado é do estado, não do eleitor. Ele não mostra em quem votaram os beneficiários; mostrar isso exigiria pesquisa individual, como as de boca de urna.
r é o coeficiente de correlação de Pearson entre os 27 valores: −1 indica relação inversa perfeita, 0 nenhuma relação, 1 relação direta perfeita. O alcance do programa também acompanha o desemprego (r = 0,78).
Tabela completa
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| Estado | Famílias | Pessoas (estim.) | População | % da população | Força de trabalho | % da força de trabalho | Desemprego | IDHM 2024 | Mortes violentas /100 mil | Presidente 2026 (margem) | Viés político |
|---|
Brasil: 18.926.169 famílias; 49.201.807 pessoas; população de 214.211.951; força de trabalho de 108,9 milhões; IDHM 0,805; 19,1 mortes violentas por 100 mil (40.775 em 2025).
Metodologia e limites
- Famílias beneficiárias por estado: contagem administrativa do MDS para abril de 2026 (Informe Bolsa Família nº 115).
- Pessoas beneficiárias por estado: estimativa. O MDS divulga o total nacional de pessoas (49.201.807), mas não o número por estado. Distribuímos esse total pelo número de famílias de cada estado, com a média nacional de 2,60 pessoas por família. Onde as famílias são maiores que a média, como no Norte, o número real tende a ser maior.
- % da força de trabalho: pessoas beneficiárias divididas pela força de trabalho medida pela PNAD Contínua no 2º trimestre de 2026 (ocupados e desocupados com 14 anos ou mais). Mostra o tamanho do programa diante de quem trabalha ou procura trabalho. Não é a parcela de trabalhadores que recebe o benefício: o numerador inclui crianças, idosos e pessoas fora da força de trabalho, e por isso o valor pode passar de 100%, como no Maranhão.
- IDHM: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 2024, calculado no Radar IDHM (PNUD, Fundação João Pinheiro e IBGE) com base na PNAD Contínua, divulgado em maio de 2026. Varia de 0 a 1; acima de 0,800 é considerado muito alto.
- Mortes violentas intencionais (MVI): soma de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. É o indicador mais usado para comparar a violência letal entre estados.
- Voto para presidente: percentual dos votos válidos de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no 1º turno de 4 de outubro de 2026, com a apuração concluída. O mais votado indica a preferência majoritária do eleitorado do estado nessa eleição; não mede a ideologia da população, e cerca de 8% dos votos válidos foram para os demais candidatos.
- Viés político predominante: partido do governador eleito em cada estado nas eleições de 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 (mandatos de 1995 a 2026). Cada mandato conta quatro anos para o campo do partido, pela escala de Bolognesi, Ribeiro e Codato (2023): esquerda até 4,49; centro de 4,5 a 7,0; direita acima de 7,0. Partidos extintos ou renomeados levam a nota do sucessor (PFL = DEM; PPR e PPB = Progressistas; União Brasil = média de DEM e PSL). Não se consideram vices que assumiram no meio do mandato. A escala mede a posição atual dos partidos; algumas legendas mudaram ao longo de 30 anos.
- IDHM de 1991, 2000 e 2010: Atlas do Desenvolvimento Humano (PNUD, Ipea e FJP), com base nos Censos. O IDHM de 2024 vem do Radar IDHM, calculado com a PNAD Contínua; a comparação com os anos de Censo é aproximada.
- Períodos: os indicadores têm datas diferentes (abril/2026, 2º trimestre de 2026, 2024 e 2025). Servem para comparar estados entre si, não para medir efeitos de um sobre o outro.
Fontes
Todos os números podem ser conferidos nos links abaixo.
Bolsa Família
População e trabalho
Desenvolvimento humano e violência
Eleição de 2026
Governadores eleitos e escala ideológica
Eleições presidenciais de 2018 e 2022
IDHM 2024 por estado, conforme divulgado pelo PNUD e reproduzido pela imprensa: Nordeste Norte DF, SP, SC, AC, AL, MA PR RS RJ MG ES GO MT MS
Mapa vetorial dos estados: SVG Maps, de Victor Cazanave (licença CC BY 4.0).