Carga Tributária Global

Painel comparativo · 47 países · 2026

Quantos dias se trabalha só para pagar imposto

47 países · carga tributária sobre a pessoa física, cruzada com desigualdade, IDH 2025, PISA 2025, homicídios e gasto em saúde
Fontes: Institut Molinari/EY · IBPT · IARAF · Fraser Institute · Banco Mundial · PNUD · OCDE · UNODC · OMS

Maior carga · cidadão
França
203 dias · liberação em 22/jul
Brasil
150 dias
41,1% da renda · IBPT 2026
Brasil · faixa R$ 3–10 mil
157 dias
Gini 50,3 · a média esconde a faixa
Brasil · saúde privada
20,3 dias
média nacional · ~56 dias para quem tem plano
Tamanho e cor proporcionais aos dias trabalhados →
· Clique no círculo para fixar o detalhe

Ranking

# País⇅ Governo⇅ Dias p/ tributos⇅ Gini⇅ IDH 2025⇅ PISA 2025⇅ Homic. /100 mil⇅ Trânsito · mortes⇅ Saúde % PIB⇅ Saúde priv. dias⇅
📊 Fontes: Institut économique Molinari / EY, 17ª edição (jul/2026) · IBPT 2026 · IARAF 2026 · Fraser Institute 2026 · Banco Mundial/PwC (TTCR 2019) · PNUD HDR 2025 · OCDE PISA 2025 · UNODC · OMS/Global Health Expenditure Database
⚠ Notas metodológicas: Cidadão · dias = percentual da renda do trabalho consumido por tributos convertido em dias do ano. Na Zona do Euro e no Reino Unido a metodologia é uniforme (encargos patronais e do empregado + IR + IVA sobre o salário completo, assalariado médio solteiro). No Brasil o IBPT inclui também IPTU, IPVA, ICMS e ISS; na Argentina o IARAF cobre os três níveis de governo (172 a 182 dias conforme a faixa de renda — exibida a média de 177). Os EUA são estimativa: a Tax Foundation descontinuou o cálculo oficial em 2018. Demais países americanos não possuem estudo nacional equivalente e a célula fica vazia, em vez de receber número inferido. Escopo — apenas pessoa física: a carga sobre a pessoa jurídica foi retirada deste painel por opção metodológica. O único indicador com cobertura transnacional (Total Tax and Contribution Rate, Banco Mundial/PwC, ano-base 2019) usa como denominador o lucro comercial e exclui os tributos apenas arrecadados, como ICMS, PIS e COFINS, sob a premissa de que sejam recuperáveis. Essa premissa não se sustenta no Brasil: no ICMS o crédito alcança só o imposto da entrada, recolhendo-se sobre o valor agregado, e o art. 33, I, da LC 87/1996, na redação da LC 171/2019, adiou para 2033 o crédito sobre bens de uso e consumo — restrição que o STJ considera legítima; além disso, a maioria das empresas está no Simples Nacional, que recolhe sobre a receita bruta sem creditamento algum, ou no Lucro Presumido, em que PIS e COFINS são cumulativos (0,65% + 3%) e não geram crédito. O indicador seria, portanto, um piso construído sobre o perfil menos representativo do universo empresarial brasileiro. O tema será tratado em painel próprio. 🚘 Mortes no trânsito — Organização Mundial da Saúde, Global Health Observatory, indicador de mortalidade estimada por acidentes de trânsito, ano-base 2021 (último detalhamento por país disponível). A OMS publica a taxa por 100 mil habitantes, que é o número exibido abaixo de cada total; o total absoluto foi derivado por nós, multiplicando a taxa pela população — cálculo próprio, portanto, e não dado publicado. A derivação foi conferida contra os totais que a própria OMS divulgou para 2021 e ficou dentro de 2% (Brasil: 33.441 derivados contra 33.586 oficiais; Estados Unidos: 48.564 contra 47.750). A diferença vem de a população usada aqui ser estimativa de 2025 e a taxa ser de 2021. Para comparar países, use a taxa, não o total: o total é dominado pelo tamanho da população, e por isso os dois botões de ordenação. Em 20 de julho de 2026 a OMS divulgou dados globais atualizados — 1,16 milhão de mortes em 2025, queda de 21% na taxa global entre 2011 e 2025 —, mas o detalhamento por país dessa edição ainda não estava disponível quando este painel foi montado. Indicador na OMS. Gini — para que serve nesta tabela: índice de desigualdade de renda do Banco Mundial (0 = igualdade perfeita, 100 = desigualdade máxima), último ano disponível indicado abaixo do valor. Ele não mede tributos; está aqui como ressalva de leitura da coluna "Cidadão · dias". Quanto maior o Gini, menos gente a média descreve: os 150 dias do Brasil (Gini 50,3) representam um contribuinte muito menos típico que os 203 dias da França (Gini 31,8) ou os 197 da Bélgica (Gini 26,8). Em país desigual, a média é puxada para cima pelo topo da distribuição e não corresponde à experiência da maioria. Atenção aos anos-base: Trinidad e Tobago (1992), Guiana (1998) e Venezuela (2006) têm levantamentos antigos e o valor pode não refletir a situação atual; Cuba não possui estimativa do Banco Mundial. Fonte: Banco Mundial, indicador SI.POV.GINI. A desigualdade dentro do Brasil, em dias: o próprio IBPT segmenta os contribuintes em três faixas de renda — até R$ 3 mil, de R$ 3 mil a R$ 10 mil, e acima de R$ 10 mil. A faixa intermediária é a que mais trabalha para pagar tributos: 157 dias por ano, sete a mais que a média nacional de 150. É a demonstração prática de por que o número único engana: não existe contribuinte médio. Por que não usamos o salário mínimo como base: seria a resposta intuitiva ao problema da desigualdade, mas inviabiliza a comparação — cinco países da UE não têm salário mínimo legal (Dinamarca, Itália, Áustria, Finlândia e Suécia), três deles na zona do euro e neste painel, com pisos definidos por negociação coletiva setor a setor. Além disso, em quase todos os países quem recebe o mínimo é isento de imposto de renda, o que reduziria a comparação a contribuições sociais e consumo. A alternativa técnica seria a mediana ou o parâmetro de 67% do salário médio da OCDE, o que exigiria recalcular país a país e abrir mão dos números da EY. IDH 2025: o relatório é de 2025, mas os valores medidos são de 2023. PISA 2025: divulgado em 8 de setembro de 2026; ciências foi o domínio focal, e as três escalas são independentes — a OCDE adverte que não devem ser somadas em nota única e que diferenças de um ou dois pontos não são estatisticamente distinguíveis. Panamá e Jamaica não participaram do ciclo 2025 (valores de 2022, assinalados). Homicídios: UNODC, por 100 mil habitantes, quase todos com dado de 2024. Saúde % PIB: gasto total (público + privado) em saúde como percentual do PIB — OCDE (2023–2024) para os membros, OMS (2020–2021) para os demais; o ano-base de cada célula aparece abaixo do valor, junto com o gasto por habitante em US$ PPP para referência. O percentual do PIB mede esforço e é o mais comparável entre economias de tamanhos diferentes; o valor por habitante mede recurso efetivamente disponível e correlaciona melhor com a qualidade do atendimento. Cuba ilustra a diferença: 12,5% do PIB, entre os maiores esforços do painel, e US$ 2.884 PPP por habitante, um terço do irlandês. Saúde privada · dias = (gasto em saúde % do PIB) × (fatia financiada por fontes privadas domésticas) × 3,65. Resulta nos dias de PIB consumidos por saúde paga pelas famílias e empresas — planos, seguros e desembolso direto. Fatia privada: OMS, indicador SH.XPD.PVTD.CH.ZS, ano-base 2019 (percentual exibido abaixo da barra). A base é o PIB, não a renda do trabalho, ao contrário da coluna "Cidadão · dias"; as duas não se somam nem se comparam diretamente. Cálculo próprio a partir das duas séries da OMS, e não um indicador publicado por elas. ⚠ Duas leituras diferentes, e a ressalva que as separa: o valor da coluna é uma média nacional que inclui quem não gasta nada com saúde privada. No Brasil, a ANS registra taxa de cobertura de 25% da população em junho de 2026 (53.145.666 beneficiários em planos de assistência médica), de modo que três em cada quatro brasileiros entram no cálculo com valor zero e puxam a média para baixo. Os 20,3 dias descrevem o país, não o contribuinte que paga. Para quem efetivamente recorre à saúde privada, o número é outro: a ANS reportou R$ 173,2 bilhões de receita total no 1º semestre de 2026, dos quais cerca de R$ 155 bilhões em receitas efetivas de operação de planos, numa amostra de 43,9 milhões de beneficiários equivalente a 84,2% da base da Agência. Extrapolando para o mercado inteiro e anualizando, chega-se a cerca de R$ 368 bilhões/ano em mensalidades, ou R$ 577 por beneficiário/mês — o que, sobre o salário médio bruto brasileiro (por volta de R$ 3.762 mensais), representa aproximadamente 56 dias de trabalho por ano, apenas de plano de saúde, sem medicamentos, consultas fora do plano ou odontologia. Somado aos 150 dias do IBPT, são cerca de 206 dias na mesma base de renda. Este número de 56 dias é calculado considerando exclusivamente as pessoas cobertas por plano privado, e não a população brasileira como um todo — não deve ser lido como carga média do cidadão brasileiro. Outras três ressalvas: a base é o salário médio, e não a renda de cada família; boa parte dos planos é coletiva empresarial e aparece como despesa da empresa, sendo atribuída aqui ao trabalhador pela mesma lógica que o Molinari aplica aos encargos patronais, o que é escolha metodológica e não fato contábil; e o valor por beneficiário é média de carteira, sendo o plano individual sensivelmente mais caro que o coletivo. Cálculo próprio a partir dos dados da ANS. Segurança e transporte privados: não viraram coluna, e a razão é a mesma nos dois casos — não existe série monetária comparável para os 47 países. O que existe de sólido em segurança é o estudo do BID The Costs of Crime and Violence (2024): o crime custa à América Latina e ao Caribe 3,44% do PIB (2022), dos quais 47% são gastos de mitigação e segurança bancados por empresas privadas, 31% gasto público e 22% perda de capital humano — contra 2% do PIB em seis países europeus comparados. Em dias de PIB, os 3,44% equivalem a cerca de 12,6 dias na média regional, dos quais aproximadamente 5,9 dias de segurança privada empresarial. O estudo não cobre a Europa país a país nem separa segurança domiciliar, e por isso o número fica como referência regional nesta nota, sem virar coluna. Para transporte particular, as pesquisas de orçamento familiar usam classificações e anos-base diferentes entre Europa e América Latina; no Brasil, a POF/IBGE permite o cálculo isolado, e posso levá-lo separadamente. Governo: Executivo em exercício em 17/09/2026. Venezuela em situação indefinida (presidência interina desde janeiro de 2026, sem eleições); Brasil vota em outubro de 2026. Os indicadores de "dia da liberdade tributária" são ilustrativos, e seus próprios autores dizem isso: não existe contribuinte médio — o IBPT registra 157 dias na faixa de R$ 3 mil a R$ 10 mil, acima da média nacional de 150.